domingo, 16 de outubro de 2011

Que se fez...

Algo, que queria, que não seja, mas que é, não do que era, do de à vera.
Tem algo que eu queira ser pra você?
Tem.
Quero ser a comida de seu prato, quero ser os esmaltes das suas unhas
Quero ser o próximo verso abaixo desse,
Quero voltar a ser o verso acima,
Eu quero ser o tudo que contém você.
Eu quero ser as brigas, as guerras, e os devaneios,
Eu quero ser o gole do café mais gostoso da cafeteria,
Eu quero ser o vegetal e a falta de açúcar.
Quero ser o cookie mais saboroso da padaria.
E quero andar com você nos melhores lugares desse underground segurando um cigarro e uma cerveja, na noite de um sábado não-qualquer, porque sábado nunca é qualquer.

Eu só não quero ser palavra de empurro .
Dessa que você embarca em minha boca, e causa um desembarque de raiva.

Mexer o corpo, um dance duck, mix up, um show de rock valente, ou um samba de bebida quente.

Você não pode negar muita coisa,
Em chão de pedras e buracos não se faz daça, só se entorta.

Eu tenho que zelar minha barba, minha preguiça e muitas vontades, só não posso cometer suicídio.

Se cada letra fosse um momento eu usaria a reticência pra redizer "momentos de eternidades"
Quando pra menos eu sou mais infinito.
Nasci de a sol.
Isca-me essa batida pois tu és de anzol.

Eu quero ser o texto inteiro,
Eu quero ser o inteiro,
Eu quero ficar pandeiro,
Eu quero ler rasteiro
De tanto querer...

Sou eu,
seu companheiro.



Matheus Carmo



Meu Amor



Com meu amor eu vejo a vida mais doce
Com meu amor eu sinto as coisas incharem
Com meu amor preciso de foice
Com meu amor, ...

e ficou gordo demais para andar.


Matheus Carmo

Triste

 Como é triste ver uma moça linda formosa cheirosa de calça branca manchada na bunda coxa farda de uma bela moça.


Matheus Carmo

Garimpo dos pontos





Quando assusto
Sou assustado
Quando mato
Sou morrido
Sou capim,
Sou mato,
Quando me canso de dizer o que sou,
Sou o cansaço de quando.
Ando na beira de uma beirada
Fogo também dança na ponta de uma queimada
"Que nada!" Seria uma demonstração de graça ao nada?
Simplesmente nada!
No mar se havia isquiço 
Um buliço repentino
Instinto de ir longe até quando afogar,
Curiosidade do homem.

Capa cidade,

Não dá pra vê o prédio
"Que tédio!" Seria uma demonstração de carinho na ausência de remédio?
Remar, então domar,

Ré-mar
Dó-mar

Construção duma música marítima.

Mar não tem tom

Mar se mergulhar
Tem alojamentos instrumentais lá no fundo 

Poema azul.

Se tomar no linho chorinho de angu caroço em alvoroço quererá flutuar.

Eu penso numa pensada de pensa
Que crença diferença teria se não pensar?

Camuflo.

Poesia não dá camuflada

No mais, sou menos.

Só em expresso de peço a peça começa no que interessa por começar.

Prefiro findar.

Fim dar alívio, ...às vezes dúvida.
Quando termino e quando começo?
Quando coisar!

Coisando...

Coisei.

Que coisa!

A moita do verso não pode se desmantelar.
Ela quem dera de primavera uma manhã poder se gozar.


Matheus Carmo. 
  

Descomplicando (tentando)

De ca ca ca carinho, de que que que querida, de fe fé fe fé fê fê fi fé fi fe fe fi fé ferida, de som som som som sonho... som som som sono, de descom de com descom com com com descom  de com compaixão, de há tem, ah tem, de tem tem tem, a, ah ,  há , aaah, atenção. É tanta falta e desfalta. Desfaltar!
Quando dizem que as coisas são simples e que, somos nós que complicamos... sinto e respiro a pura verdade nessa concepção.
Eu vou na simplicidade, se  é que me entendem! Para fazer um arco íris na poesia é só criar palavras coloridas. Isso me basta como simples.
Complicar as coisas é só uma questão de "sim" ir de encontro com o "não"...

Complicar é:  posso/não posso, quero/não quero, vou/não vou, vamos/não vamos, topa/não topa, SIM/NÃO, é/não é, afim/não afim, tá/não tá. É um ir e o outro ficar... isso pelo fato do próprio ato de complicar.

Nessas horas as palavras soam por intermédio de bobagens ou de certezas...  ausência de harmonia nas ideias. Falamos coisas que não sabemos ao certo, se É/ou se NÃO É. Prendo-me aí.
Tento fazer essa relação porque hoje ouvir coisas que pesaram na consciência.
Ao ouvir algo,  automaticamente embolsamos uma atitude. Seja lá boa ou ruim.
Quando hoje ouvi uma besteira, tomei uma atitude boa para com os meus próximos atos e evolução dos pensamentos.
O que irá dizer se uma tal atitude(de gesto ou quiçá oral) tomada pelo ser receptor, ao ouvir uma "bobagem", é ruim ou não, vai depender muito do grau de afirmação que foi enviada pelo ser emissor. Se o ser emissor disse realmente uma mensagem com certeza do que está dizendo, a minha atitude, antes vista como ruim, passa a ser boa, pois irá me livrar de algo que eu não tenha gostado e que apenas irá me fazer andar pra trás. Mas se o ser emissor estiver envolvido por alguma emoção e diz um bobagem... a atitude tomada pelo ser receptor,na qual foi boa, passa a ser ruim.
Ruim para ambos.
O receptor não tem a obrigação de se exigir ao grau de reconhecer as emoções passadas pelo ser emissor, e pós isso, ter o reconhecimento da situação, logo, procurar entender o porque de ouvir tal bobagem.

Tento fazer isso, mas há desgaste depois de suscetivas tentativas.

É o:
- Não gosto disso!
- Por queeeee?

Aí entra a complicação!

Todo enredo "complicativo" se estende, e vai se alongando em um contínuo diálogo em vão até chegar o momento de exaustão.

Eu sou do DESCOMPLICAR.
Gosto de descomplicar as coisas...
Quando não consigo fazer isso em conjunto, passo a fazer isso em conjunto; eu e eu.

O fato é que quem descomplica sempre implica.

Implica com algo ou com alguma coisa.

Não quero me estender nesse texto ao qual poderia desenvolver cansativas páginas explicativas.
Quero aqui passar que... realmente, as coisas são simples. Obter simplicidade, é um dom. Ainda que tenha simplicidade, não será em todos os momentos da vida que conseguirá mante-la.
Paradoxo? É que às vezes torna-se complicado ser simples.

Uma cerveja em fim de tarde com os amigos é ...complicado.
Tentativa de escapar da situação, em contratempo ... momento único. Estou acordado, o flash escorre na mente, e o mesmo inicia-se desde às 04:50 da manhã - horário no qual acordei - e vou relembrando de todo o meu dia. Isso dói e desdói.

"Estou te explicando pra te confundir, estou te confundindo pra te esclarecer" (Tom Zé)


Enquanto que: Deixar estar...
Aqui soa como êxito e suficiência.


Matheus Carmo





Ensaio Gramático Literário.







Ultimamente pouco tenho-me estrada. Evitando o cansar e o despular. Dor de que não consigo me tardar  quando cotidiano.
_________________
 Maresio aula.
 Maresio tempo.
 Maresio então, a conversa.



-FUERO


-FUERIS


-FUERIT


Eu tenho sido avante, menos nas aulas de Latim. Mas sei que, vitae humanae tempus breve est. Analiso então que, tempus... exerce uma função gramatical do genitivo -terceira declinação- do gênero neutro.

.O tempo não é neutro em mim.

Humanae é adjetivo.

.Mas não aqui.


- Orato doctior qum poeta est.

Isso é, grau comparativo de superioridade dos adjetivos.

Poeta não se compara com tudo, só com o nada. Poeta... só tem sido bocó mesmo.

Mais justo se é ego, que quer dizer eu ou tu em Latim. É digno Ego/Eu. Egoísta, que também vem do Latim.
No mais... toda a gramática brasileira, inglesa, latina, as quais eu tenho o conhecimento, são justas.

Só pra ser radical:  Terra sole illuminatur (Radical do infectum, passiva sintética, na voz ativa)

Quanto é radical, quanto é infectum, quanto é sintético, quanto é ativo...

Justiça combinativa com: Audio, que quer dizer ouço em Latim.

Entre outros infinitos exemplos possíveis de serem esclarecidos...
Mesmo com toda escuridão.

A gramática deveria/deve ser experimental. Encaixes, testes, ordens, estruturalismo, destruturalismos, exatidão.
Poetas... nem todos namoram com as letras. Com a letra. Com a lê, com a tá.
O É ....
O É, é grande, bonito, formoso, tem um F em cima e um pé embaixo, é descolado, e além do mais... tem um belo topete.
E ele é charmoso e é. Ele não é ele, ele é é.
Quando se namora com a letra, se encanta com as palavras. Olhe: Tenho.
Que linda palavra és tenho
A M é fêmea, animalesca, louca, vive com as pernas abertas, vive a nos oferecer o seu meio.. Me caso com ela.
Olhe: minha.
Não é preciso ir muito longe para dizer que isto é pronome possessivo.

Meu, minha, teu, sua...

É de nossa posse. É quase ego. É quase eu.

Essas coisas são experimentais, são palpáveis no âmago, no raciocínio, na literatura, na desgramática. É de se sentir, não ? É pra sentir como as palavras -letras- são, é pra sentir como se organizam, o que elas nos dizem, a que classe pertencem. São como nós.
Aliás, não.
Não são como nós.
Entraria em um conflito passivo de que não somos como as palavras.

Porque na verdade, doutos, seres, bocudos... por vezes ...  não tem nada a dizer, não sabem o que são, e tem orgulho de ser uma classe que não é. Deseja muito as coisas, por vezes também, não movem uma letra pra conquistar o sonho, se contradizem, cometem hipocrisia.

Portanto, as palavras não são como nós. Elas me despertam roncos, elas me encantam, me deixam ama-las. Gramática!  Quanto a gente... não.

Gostamos do oposto por vezes...

Os poetas são os seres mais malditos, mais vadios, e mais orgulhosos que, numas horas , podem existir.
São assim, tortos. Totalmente oposto ao que se caracteriza a palavra. E por isso... passamos essa doença para elas. Fazemos dela o que queremos. E o que mais os poetas querem, é deixar a palavra como eles são.
_____________Observe os exemplos abaixo:_______________

.O Vento é um atleta de contingências infinitas
.Caqui não está aqui, ta cá.
.Bermuda muda enquanto que se encurta
. Azulejo pode ser preto
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Cometemos desvios.
Somos desviados.
Alguns um só.

Mas para fazer isso com a palavra, é necessário que se conheça bem a gramática, para que possamos colocar nossos amplio nelas e assim, estica-la ao seu máximo horizonte.

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When I was boozy I created a lack whisky.
Flat glass.
Am I boring?
Just think for myself. Those things on drawer think for itself.

-Sit here with us!
-Do you have experience?
-Perhaps, but i have a staff! What do you think about it?
-It's good. Serves the poetry.
-Would you like appetizer ?
-Of course! And another dish...
-In this way... overcome.
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Grafite americano feito na parede do meu texto.
Achei bonito!
Palavra tem concretude, and maybe concretude is crooked. I'll be there... stupidly.

Lá, advérbio de lugar, mais lugar do que qualquer outro lá, eu me dei conta do que conto quando me ponto outra tonta gramática sonsa em vez.

Gramática... é da raiz, é da grama. Assim Rosauta me ensinou em seus livros explicativos de Latim...



Ela mal sabe que eu vou mais profundo



Matheus Carmo

... De esperar

Imaginei assim então, que na lua tivesse formigueiros
E agora entendo como se mora em frente a duas aves
As coisas precisam se mostrar
Aqui, de onde escrevo, as pessoas esperam as 7. As pessoas leem e estudam
Eu faço poesia.
Nessa fazeção, pensei em cuidar do amor.
Um amor de óculos,
Um sol de um lado só,
Numa parede de rede
Num bloqueio de vento
Num cimento de farofa .


Ta chovendo tanto que até o chão ta si molhado.
Juízo de Valor.
Chaui me ensinou.

Não me lembro ao certo das minhas origens
Recordo-me de ter passado por vezes embaixo da perna de vó.
Tive sonos em Nazaré.
Lá eu brincava com cágados e tartarugava a minha vida.
Me vejo pausa.
Dona Antônia, dona dos cágados, dormia no subsolo da imensidão
Ela me ensinava a formar bichos com as mãos.
Até hoje sei fazer o Bem-Te-Vi.
Foi um passo fundamental pra deixar-me bocó.
Eu dava bom dia aos guardas do fórum
E via a marchinha de carnaval subir a ladeira
A ladeira fica até hoje bem no nariz da casa.
Hoje o lugar onde me entartaruguei tornou-se um um belo restaurante.
Restava saudades.

Quando na Barra me consumi de sono em me barrar,
Apurei o olfato.
Quando saudade chorava eu dizia: Vó, cheiro de Nazaré!
Ela também sentia, e se sorria. - Sinto!
Vó até hoje condiciona a graça.
Com ela aprendi a cantar minha primeira música,
Da cabeça a nota. Exercia 3 anos.
Decorar, virtude apurada.
Sei decorar,
Eu decoro os poemas
Poemas me decoram.
Somo de co.
Decorados.


Enfim...

Havia aprendido um hino da igreja.
Mas não segui a tradição.
Sigo a religião de não sei de que lá até onde eu consiga alcança-la
Sinto me amado pelas palavras e pela flor.
Um evangélico pode ser Pueta?
Qua'la diferença entre : Hein ? E... Hein?!


Deus é amor.
A flor também é?

Se de que palavra é falha, que  por exaustivas existências significativas não ainda satisfazem o nosso "quero dizer", A palavra "Poeta" também é.
Porque eu não sou poeta
Trabalho com percepção, compreensão, e exposição das boboqueiras.

Desvio Nazareno.

Eu sou o que não sei que faz poesia.

Eu sou o que eu não sei que emboboca

Quando me destravessei, vi Barra.
Só os desvios...


Só rola os desvios por aqui.


Quando precisei ir mais além de menos,
Me entortei.
Mas essas coisas todas aconteceram sem eu querer
Aconteceram.

Sou acontecido das coisas.
Das coisas que acontecem
Menos dos acontecimentos pra cima.
Rima quando inclina o clima.


Acontecido de ímã.





Matheus Carmo

"Tarde e atraso, um maço ?"


Você que ta cheia de espinhos hoje 
E eu então tô triste 
Tô triste mesmo 
Muito triste 
Ai eu senti a dor que um pirata sentiu ao ver seu ouro sujinho 
E reclamei também com os políticos da Grécia 
Eles que inventaram a sacanagem 
E que se formaram em B.I. 
Sabiam de tudo 
"Os sabichões "
Uns bostas, para esse momento
E fedem, tipo engasgo
Senti hoje as marias manias de voltas no toco
É um tipo de dor também
Só não é na carne
É na pensa
Como vai minha beleza de mastigar a carne ? Já pensou ?
Estilhaço e cansaço, é palho
Prum palhaço que rir da chuva
Enquanto fuma seu tabaco
Cuida da paisagem, só casa tem.
A janela daqui ta com cárie,
não botou cortina antes de dormir.

A mosca, álibi
O fulano xi
Pinto piu
São duas pras 18

Se cartola tocar
Acho que fico mais triste de novo, no ovo do meu olho
Sai gema que rema o caroço

Fosco,
Tosco.

É dor de novo.
Poema aleijado, sem dança. sem rítmica.
No chão, pão, cimento, concreto, entulho, e alho
Pista...

Vou dirigir um cafuné, e pintar tinteira de mulhé

Afogo.

Crista.





Matheus Carmo

Estudos Teóricos da Literatura.

Andando pelos corredores do prédio de dança na faculdade, quando exercia um simples passeio pelas áreas verdes, encontrei-me com um conhecido-moço. Ele vinha de lá, e eu de cá. Quando de distância fomos nos aproximando... eis que surgiu uma tal cumprimentação.

- Eae rapá!

- Opa!  
Eu respondi.

- O que faz por aqui ?
Eu respondi dizendo que apenas estava vagando pela áreas verdes da faculdade.
O conhecido-moço então retruca:

- Não. Eu me refiro ao curso que você faz... qual é o curso mesmo ?

- Aah sim, (rs) eu faço medicina!

- Ouxe, eu pensei que você fizesse Letras! É o que eu achava, sabe ?

Então novamente, lhe respondi:

- Ah, é a mesma coisa!

O conhecido-moço logo mudou a aparência, ficou com uma feição de estranhamento, ainda assim com um ar de "ele deve está tirando sarro da minha cara", e então empurra-me mais palavras oratórias:

- Você ta louco!

- As palavras não nos curam mas servem de remédio pra doença de ser poeta.  Assim eu disse. Fui mais longe um pouco:
- Pena que não estou gostando do meu curso, acho que irei imigrar para a área de engenharia.

Me dando muita corda ...ele me pergunta:

- Hum, não sei não. Mas é um bom curso. Depende mesmo do tipo de engenharia que você faça... já sabe qual ?

- Engenharia da Literatura. Gosto de construir escritórios verbais.

Não sabia como ele aturava esse papo, às vezes parecia até que estava gostando... e em consecutivas vezes ele continuava a prosear comigo

- Eu não sei se alimento esse papo mas, ... me sinto curioso em saber sobre o que se passa em sua cabeça; como assim escritórios verbais ?

- (respiro...). Bom, a palavra "Escritório" significa : escrita de gente torta.

- Donde tu viu isso ?

- Dicionário Carmiano.

- Nunca ouvi falar! Você pesquisa afundo isso aí ? Tipo, esses negócios de medicina ser igual a letras, do tal  da Engenharia da Literatura, construir escritórios verbais ... ou é só invenção sua mesmo ?

- Conhecido-moço,... como já dizia o poeta que agora está em sua terceira infância... "Tudo que não invento é falso" assim como ele diz também, "Noventa por cento... é invenção.Só dez por cento é mentira"
Isto é a minha literatura, o bom autor, é aquele que não tem obras literárias, mas sim aquele que tem literaturas ao modo que a mesma por si só esteja engendrada em sua vida. Quem faz a obra é o petiz de meios versos numa das piores construções agramaticais na ínfima ausência de cimentos...

O conhecido-moço quase enfia a cabeça no lixo, quase resolve me dar um tiro, quase chama a ambulância pra que os médicos venham a cuidar de mim. Indignado ficou!

- Ma ma... ma... , não é possível, mas  você, ...você é louco mesmo. Como pode isso ?

- Ô meu querido, assim como tu inciou esta prosa, irei copiar o que fizeste comigo e logo farei o mesmo com você... Então,... qual curso que você faz ?

Passando as mãos em barba,...  ajeita o óculos, joga fora o cigarro no qual lhe relaxava a cada tragada que dava quando ouvia uma resposta minha, e academicamente, com um ar de que vai dar uma volta por cima, me responde :

- Eu exerço em meu tempo integral o verbo "estar" ao invés do "ser", e pelas manhãs, eu estou    aluno de filosofia. Estudo filosofia a fundo, sempre procuro tentar entender as circunstância, as coisas que estão contidas no mundo. Mas você é um caso intentável. (Todo ar de desistência é possível ser palpado nesta sua última sentença afirmativa).

Ele continua...

- Você fala dessas coisas aí que eu não entendo nada,  e então eu fico imaginando o que será da sua vida quando for ler algo do tipo: A poética de Aristóteles, livro obrigatório do teu curso - se é que você faz letras mesmo, nem sei se você existe mesmo, nem sei mais se estou conversando com você ou se sou eu que estou ficando biruto- Enfim, nunca toque nesse negócio, tu vai bater as botas de vez menino.

Sem precisar raciocinar muito para dar uma resposta que lhe valha o momento:

- Ah sim, Aristóteles. Ele fazia B.I.

Extremamente enraivado... retruca:

- B.I. ? Você está afirmando que Aristóteles se formou fazendo Bacharelado Interdisciplinar ???? Você não tem pensa menino. Isso não existia naquela época não !

Colocando os livros embaixo do braço, ... ele ajeita a gola da camisa, limpa a garganta com um suave pigarro,pega o celular como quem vai ver as horas e ver quanto tempo "perdeu" falando comigo, atua um cuspe no chão, e ... último insulto:

- Tolo !

- Apois... Eu disse.





Matheus Carmo

A sombra do Vento.

Uma parte em mim arde por tantas cantas de vaidade. Eu hoje rastejo por aqui em mais grand sábado às encostas da boemia. Mas pra que tanto ar de escrever...
É só na escrita que me tenho como.
Pregas, rastros, terras, molhos, arranho, raspas, aspas, couros, panhos, e etc.São ofícios das minhas palavras.

Já não suportei hoje por mais um nato ar de desejo em ausência. A menina que me vem ao interfone, clama na voz, na entrada, na batida da porta, na insistência, em minha vulnerabilidade, por teu nome. E me vem as pressas, e me vem as pontas loirisses de frases prontas mei-que Clarice, e eu a entro e me lamento por dor dela que eu a tenho, mal sabe ela de uma estrela que me engole e me faz mole e me deixa de um jeito que não se pode. Quando as choras de um me entardar não se incompreende eu queixo pelo que deixo a desejar. Desculpa, não dá. Me pertenço já.

E quanto aos moços que me em volta, de uns companheiros, outros fagueiros, outros apenas despejos me tentam aos atentar. Estou entregue a boemia na paz-solidão de casa, sem um tom de zoada, com duas garrafas de vinho fosco em bosco às tragadas de massivas carteiras rachadas por ficar no bolso alvoroço do moço de luz apagada.

É a morte, é a vida, é o amor, é o sexo, é pesadelo, é o sonho, é placas das ruas, é os outdoors, é as coisas, é as janelas, é a cena, é a dela, é o uivo, é o descarinho, é o samba, é o chorinho, é o vinho, é a manhã, é o leite, é o domingo que vem, é o ninho. Ampliando a percepção.

E por falar nela, eu não quero alguém. Eu não quero tudo, eu me volto sempre antes-mente ao NADA. Preciso somente do nada. Do que me faz graça, do que me traga e racha as taças; e nesse princípio inda'gora ímpio, pelos goles a cada palavra escrita, desde quando me sei, a bendita, das minhas melhores companhias, amigos e amigas, trilha da família, e tanta alegria.... a todos que me nadam...


Vocês por mês em vez de ter o que futura se fez, precisam de conhecer o nada.


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Nas dígitas ainda me tenho por torto, é só uma levada, é o engole do caroço.
Eu me deito nas frases que nunca foram escritas nas palavras que nunca foram descobridas, que ainda passam calor.
Eu as a salvo.
Elas ainda não agradecem.
Quando souberem do que falo, eu já terei outra palavra para: agradecer.

E mon amour que se encontra em liberdade na mais pura arte não sabe o quanto em mim um penso arde.


Eu gosto dessas palavras porque pronunciam o ar.


Em tão noite feita de dia, ou O dia. E sempre o nato ar de desejo em ausência de um ser que não tem pensa   nem descaminhar.

Boemia, me leve ao breve cada vez mais distante de um ante mais falante que não queira a feira de nos endomingar, que se preocupe mais em condenar em desentardecer o mais poético gritante que nos tenha por errante, inda que a poesia signifique algo suplicante, a quanto instante me freei pra desacelerar. Que os termos já não dão mais no mesmo nem se de si lhe ofereço o preço do contentar. Estou as fagas dumas partas nas patas de uma tartaruga que me desenha elefante nas traseiras ao zumbido da coruja que se rimam    por se dar ao distante,

Até que na menos filtragem de sextas bobagens irei umas pias completar.

Cinco mil palavras, um bêbado por demais escrivão. Ao conjunto de todas elas em uma lata ou tela se dá um quadro  de uma mil aquarela de trégua, sem linha ordem bonita vírgula e, régua, numa só mão. Ritmo companheiro. Tom cancioneiro. Eu vou partir da amizade sem saudade do tudo ao escudo que furo nessa noite sem pão!


Matheus Carmo



Poema de 2

Se poeta é ser bocó ... Descobri hoje, que não podemos fazer boboquices com pessoas razoáveis. Eu preciso primeiramente enbobocozá-las.
Até as coisas
Já estão meio bocós,

Tanto que não querem ser o que apresentam
são.

Diz Perta da Silva que a noite só vem no amanhecer da ventania.
Dez apertou-se dentre o número antes, e o que lhe vinha por ante'pois.

- Rebeca esse entulho moribundo da rua ça menina !

Vó dizia que entulho moribundo apresentava-se melhor na cômoda do quarto.
É que incomodava menos as cousas.
O oiro é uma cousa sem valor pros bocós.

Rita, gostava de passar borracha em tudo. Até no azulejo branco. Branco.


Rita me irrita.

Parece que não sabe que a branquidão é um cisco afoito.
Misericórdia!


Concorda se faz uma torta de chorar limão.

A ideia é passar sabão em barra no cu do sabiá.

O canto era mais limpo. Ali, alojava-se toda poeira
onde eu tinha alegria, digo, ALERGIA.

Sempre quis confundir alergia com alegria. Coisa impossível.
O diacronismo não costumava me salvar.
Eu ainda prefiro largatixa do que lagartixa. Da pra brincar.
Seres grudentos querem se desgrudar. Querem ser o que não é.
Isso é ser o que é ?

Aqui tantos bichos tem: Micos, passarinhos, cachorros, sariguês...
De vez em quando uma cobra aparece.


E uma mal amada também.



Os micos roubam qualquer comida das nossas mãos.
Os passarinhos não se importam em passear no chão, eles andam um PAF inteiro. Eu até brinco por detrás deles.
Os cachorros... Que bichos geniais! Sabem nos invejar com toda sua preguiça rasteira de ser. Me lembro de: "... Nada melhor do que não fazer nada..."
Às vezes tô meio cachorro.
Os sariguês exercem uns traços meio enguejados.
Quando cobra carece de brotar medo...,
bota língua lado à fora,... se aparece, e neguinho corre.
Pessoa razoável quase morre nesse corre.
As mal amadas..., se celestam de tanta carência.
Elas gostam de cobra.

- Ei tu menino qui istuda biologia! Aparta issu daqui!

Futuros biólogos também gostam da aparição de uma cobra.

Eles eram quase bocós.

Eu os apreciava.

Ainda assim, tudo aqui é velho e exausto.
Acho que a cobra se esconde porque já cansou de dar susto.
É, as pessoas que não cansam de correr.
Pelo fato da inteligência é fácil fugir,
Pelo da sabedoria é difícil chegar ao êxito.


A cobra consegue
Ela chega.


A cobra consegue estar o que quer ser.
Eu só me tenho no que estou quando se não é.


Já enboboquei-lhes por demais.
Deixa bocá.



Matheus Carmo

Vontade de Morrer (Lucas Santana)

Bom pessoal, aproveitarei hoje da versatilidade do Ociosidade Moderna e abrirei espaço para um amigo, o Lucas. Professor de Educação Física, em que exerce parte do seu tempo lecionando no Colégio Antônio Vieira (O qual estudei por um bom tempo). Um rapaz pensante, de ideias amadurecidas, que conseguiu me comover por intermédio deste escrito, antes de qualquer coisa, desejo uma boa leitura, que ela se possibilite ao prazer, logo... espero uma boa, sincera e honesta reflexão para com si mesmo. Tenho a concepção de que por grande parte das vezes, temos que escrever aquilo que vivemos, aquilo que fazemos, e não apenas escrever por escrever. bom, sigam em frente, sarava!

Att,

Matheus Carmo


Vontade de Morrer

Você já teve vontade de morrer? Não?! Que pena. Você não sabe o quanto é bom sentir
vontade de morrer. Vontade de morrer de paixão. Vontade de morrer ao ajudar o próximo. Ou até mesmo “morrer de vergonha”. Irei te fazer a mesma pergunta: “você já teve vontade de morrer?”. Pense melhor para me responder. Ainda não teve?
Sabe a vontade de morrer de paixão? Amar loucamente, sem preocupações. Sem se importar com o que pode acontecer. Saber que o parece ser eterno um dia pode acabar, por isso deve-se aproveitar com intensidade cada momento. Amar sabendo que a distância, o tempo, os outros, nada abalará esse amor. E depois, se tudo acabar, depois de morto ou morta, depois de toda a dor, estar pronto e pronta para morrer de paixão novamente. Você já teve vontade de morrer? Shakespeare escreveu sobre essa vontade de morrer.
Sabe a vontade de morrer ao ajudar o próximo? Não inventar barreiras na defesa de alguém que você pode até não conhecer. Querer, ao mínimo, viver em um mundo justo. Se indignar com insultos, agressões verbais ou físicas. Pensar no próximo em seus atos. Na verdade, é saber que cada ato seu envolve, principalmente, as pessoas que o rodeiam - ou a rodeiam – e esses atos, de certo modo, irá interferir na vida dessas pessoas. Você já teve vontade de morrer? Jesus Cristo e Gandhi tiveram essa vontade de morrer.
Até mesmo a pior das vontades de morrer, que é aquela depressiva e que pode levar as vias de fato pode nos ensinar algo. Mas não recomendo essa vontade de morrer. As vontades de morrer devem ser em prol de si mesmo e do próximo. Em prol da humanidade.
Sabem, meus amigos e minhas amigas, eu tenho algumas vontades de morrer. Vocês não têm? São essas vontades de morrer que me impulsionam. Que me fazem realmente pensar que o amanhã pode ser tarde. Que me fazem refletir que eu não posso ter vindo com propósitos vãos. Independente de religiões, seitas, raças, credos, filosofias e sabedorias. As minhas vontades de morrer podem me tornar uma pessoa melhor.
Amem mais. Respeitem mais. Zanguem-se para depois pedir perdão (não cabe a nós perdoar, mas sermos perdoados por não compreender as fraquezas do outro). Estudem mais. Leiam mais. Escrevam mais. Brinquem mais – ah, o brincar, o doce sabor de brincar. Depois disso tudo mudem de opinião. Regozijem-se no prazeroso ciclo do casulo e da borboleta. Depois de voar, retorne ao casulo e reformule-se. Desperdicem menos as suas vidas, seja com “relacionamentos” virtuais, seja com amores passados, se o amor acabou morra novamente de paixão.
Desfrutem o sabor do riso com seus amigos e amigas. Converse olhando nos olhos, mostre-se sincero e sincera. Seja um porto seguro para os seus amigos e amigas (ou quem sabe até mesmo para
aquela pessoa cabisbaixa num ponto de ônibus. Um “bom dia” pode alegrar um dia. Um “boa noite” pode salvar um dia.
Sabem mais? O bom de todas essas vontades de morrer é que você pode passar por elas a vida toda e depois de morto, depois de morta, você renascerá mais forte, mais belo, mais bela e pronto e pronta para morrer de novo. Pergunto-lhe pela última vez: “você já teve vontade de morrer?”. Eu estou tendo agora mesmo.




Prof. Lucas Santana. 07 de abril de 2012.

Um desestudo sobre a Coisa e o Coisar.






O ideal pra palavra, é que ela se escreva menos. Então eu me escrevi menos. Não se pode construir um verso sobre o próprio verso, isto é ato de rascunhar.

Escrevo à caneta. Caneta à escreve.

Não sei a diferença entre mim poema.
Não sei se me tenho poesia ou se me tenho poeta, às vezes... coisa.
A coisa não deve ser vista pra se delirar.
Uma coisa não analisa outra coisa, consequência é coisar.
Poemas não podem ser lidos sem ritmos, (1)os poemas estão cansados de serem vistos por leituras razoáveis.
Dai criei poema meio coisa. Que é pra dar doçura ao amargo dos olhares. Vírgula, é a colher de mexer. A vírgula também está cansada de ficar parada palavra entre outra.
Assim ó:

"Estávamos sentados na calçada da esquina, João, Marcos e eu."

Bem fácil ler a frase acima. Fácil de ler, ritmizar, entender, analisar, vezes chorar, e discutir sobre essas coisas úteis. Mas utilidade precisa chegar ao preço de inutileza para se recriar engendrando a coisa, que por si deve-se resultar em coisar. A palavra é falha, no amor e nessas horas, não há palavra que explique o "coisar", essas coisas servem para tocar o leitor de uma maneira profunda, para que se crie percepção sobre a coisa, para que se crie caráter científico sobre a coisa, para que se crie o AMAIS sobre a coisa, para que possa definir a coisa quando for explicada em sala de aula, para que isso se permita a ganhar forma, sentido, imagem, brilho, codificação. Diante do sujeito pesquisador, o raciocínio deve ater-se a Teoria do Conhecimento (Johanes Hessen), a teoria dos signos e/ou Curso de Linguística Geral (Ferdinand de Saussure), da sonoridade, da consistência formal e gráfica, - que é o caso da letra que já tem estas características citadas - a letra é o princípios mínimo do som, que junto a uma outra letra exercente do código verbal do português, obterá, significados, significante, e há mais um outro princípio americano, ao qual eu digo: rio . E você tem a capacidade de imaginar o rio, e eu digo: rio perene. E mesmo não tendo conhecimento deste tipo de rio ainda assim o sujeito naturalmente imagina a coisa: água, rio. Mas quando eu digo: (2)"Penetrei surdamente no reino das palavras..." ou palavra tem a perna torta, ou (3)"pintei sem lápis a manhã de pernas abertas para o sol" Você não consegue mentalizar uma imagem concreta. Quando há algo desta natureza, que parece ser estranho, é de total precisão que pense, e analise firmemente as palavras, sem alterar nada, da mesma maneira a qual está escrita. Recorrer ao caminho do significado do signo não lhe trará respostas coerentes, precisa-se apelar para o significante, o mesmo lhe proporcionará "coisas" que farão o leitor coisar, e coisar é o barato da coisa; são 5 pés na lua mas 1 pé... tem que ficar no chão, tem que ficar no chão... tem que ficar no chão. Então, a letra exerce uma grafia que tem som, imagem, e pelos princípios do código verbal do português... as letras se somam e formam palavras, que formam frases, que formam parágrafos, que formam textos.

Não existe palavra silenciosa, ela silencia-se até um certo ponto, duradouro ou não, e de repente a inércia castiga-as e ... todas se juntam. Nem mesmo o "pxiiiiii" é silencioso. Logo ainda deve ater-se a morfologia portuguesa, ao caráter científico com experiência mínima de 7 madeiras de ponteiro em (4) Estudo do Cocô do Cupim.

Quanto ao sujeito de olhar virgem, de bom senso, sem pregas, e vulnerável, deve-se desmanter o estado de concretismo (5) "palavra poética tem que chegar a grau de brinquedo pra ser séria" logo a palavra faz a sua parte, o leitor também precisa fazer a sua, precisa deixar-se levar pela palavra, pode ser uma dança muda, uma lagoa careca, um pato à maçaneta, uma lua de costa pro mundo, um verso em seu inverso, ou até mesmo uma pipoca aleijada.

O papel deste sujeito é ser acariciado, agraciado, enamorado pela coisa. E sentir-se assim, ou mei-que-sim, ou mei-que-não, d'antes n'algum lugar , propício ou não, mais tarde ou até mesmo inda'gora da-se o sentido por ato de coisar.
Acho o coisar mais importante que o compromisso ao qual o sujeito pesquisador assume com a coisa, porque coisar é um vírus de alta potência, pode escravizar-se livremente sem bater cartão, e vai no couro do sujeito de olhar virgem.




Pergulhinho chegou a Ozélia uma vez:
- Literatura é aquilo que me extrai respostas sem eu mesmo ter perguntado.
Ozélia respondeu muito bem a Pergulinho.


Matheus Carmo



(1) Referência a frase: "As coisas não querem mais ser vistas por pessoas razoáveis" (Livro das Ignorãças - Manoel de Barros)
(2) "A procura da Poesia" (Carlos Drummond de Andrade)
(3) Retirado de "A Segunda Infância" (Manoel De Barros)
(4) Expressão utilizada nas aulas de Literatura I para realçar o papel do sujeito (Igor Rossoni)

(5) Livro Sobre o Nada, capítulo: 3º parte (Manoel de Barros)

Anatomia dá palavra quando caço-me infância.

Com Cláudia da Silva aprendo que palavra tem concretude, eu vejo o cheiro das moléculas que palavra a tem dentro meu ouvido. Elas brincam na linguagem sem pedir permissão. Desconfiei de um certo amigo meu, no qual me ensinaste línguas de outro sexo, olhar crítico a respeito do meu texto, disse-lhe nada, que tão me soa interessante. Adquiri um idioleto também, porque se ele poem-se a plural, serve a gente também. É ar de também posso. De semi-amor dou-lhe vogal extensa e exata. Mas pra isso tive que tocar na bunda da frequência e ver quanto é agudo o som. Bom... foi o tom; Zé de ninguém me chamava atenção de coisas decassílabas, amplitude e tempo, com uma insistência de não desafinar:

1) Bobagens me reescrevem.
2) Caquinhos me rascunham.
3) E uma olhação serena me mazela.
4) Cela à pólvora

Até que aparei os pelos do caderno amais, andavam sujos de inteligência, anti higiênico, e isto me desnuda pro olhar horizontal. Lá, vê-se imbecis de decibéis que pré-arara passa-agonia às três. A cena me incia, e as flores me pensam, afirmado assim:

1) É necessário sentir cravo no esôfago.
2) Epiglote falha quando engulo palavra.
3) Mas que tem-se diarreia no alfabeto.

No futebol das letras, campo é a boca, a burrice de tortos se apregam nas oportunidades, bate no palato e é gol. Não tem deserro. Tem-se poesia.

Então meus estudos da-se pela manhã, manhãs me teorizo e exponho nuas; elas tomam banho, renascem, e a tarde a secam, toalha de manhã é tarde, e quando chove, toalha se lava. E isso tudo é que eu tenho porque me tive quando infância.

Matheus Carmo

Poema preenchido bem preciso...

I
O coco nasce por dentro do coqueiro e sobe, aparece acima do alto quando vista do homem carece sede de facão.

II
O amor precisa ver ônica macêdo que mais tarde.

III
Ter dislexia de passarinho é mais poesia que pegar à direita por detrás padaria à baixo.

IV
O que escrevo não necessita de profundo. Só de coisar.

..............................................

Um não-paginar me curiosidade língua dedo passa a frente tanto quanto um dia se ela resolver não me beijar. Pensei no meu novo professor que exerce multa de frutas desleixadas, ele dança como as estátuas da cidade alta, e fala pra madeiras cuspir, digo, escupir.
Que se de atenção tivesse freio, não transaria poesia, estou me sendo. Sesse palavra "a" dentro de todas.
............................................

Quando apertei a mão da página, descobri que o fim iniciava-se no desapertar das folhas. Por isso me tenho acordo com o acordar.
Ontem me feri porta por toalha-se costa, deu-me em furar. As formigas só precisam de sunga pra dar um passo de folha menos na vida.

Pro ataque, quis dar um chute no rabo do sol,
ele acabou peidando.
Nunca menos que chutar alguéns.
Agora, mãe adormeceu 2 horas de esmaltes cheios,
pai de tanta água joga água na cabeça.
eu, nos escrevo em ladeira sem subida pra me privilegiar de desgaste.

.............................................

A manhã me liga sem bônus e créditos, isto só porque exercemos uma linha sol.
Eu então me voltei para frente, atrás ele me sunga e suga como cachorro expulsa pulga e esponjar sabão. Vi o lão e a lã sambar na corda partida do instrumento quando vento assobiava silêncio de entonação.

Até tenho as escalas, blues à pentatônica, amor... à verônica, até um dia em que houver fim pro infinito das flores ... e cores.


Matheus Carmo

Caça, caçoula

Precisei uma vez de um certo tempo pra deixar de caçoar da caça. Eu me vi quando letra. Prazer a palavra. Inéditas eram as circunstâncias de gramados e cachorro quente pela gente quando ama; uma agente intensificadora do substantivo quando que me existe, tornou-se amor. De básico, máximo beijo me encantou.
Ah, que saudade você me faz, amor...
me faz amor,
amor me faz.

De amor nus fazemos o extremo de café pra fragrância de cappuccino.

- Bom Dia caçarola !

Caçoula para o fogão da cozinha que nos prepara o anti arrependimento depois do devaneio à maresia. Dislexia.
A necessidade de sentir o mastigo do trigo, deles entre os dentes, da digestão, e afagar o soneto romancista... é uma pura deliciosa margarina de cor azul.
A minha escrita... só serve pra coisar.
Grita, dizem que diz muito, mas é mimada como céu, rejeitaria-se a viver um dia sem estrelas.
Tiques repentes...
Nossa, a aurora me trouxe de velha à velha mania de nos sortear e estreitar...
Entreviga que de falhas havia, joguei no universo, não sou bom das juntas mesmo.
Urtiga, que de lá me parecia, de tanto fiz perverso, são de tons as funfas dos termos.

E por isso me livrei das caças, das aspas, do tormento e todo descontentamento sempre que me ponho baixo a mesa. Preciso cair dentro do céu, pois o mundo agora anda quadro, e cheios de assinaturas, de lá pintamos ontem nossa aventura de nos sorrir para ventura de não sei o quê. Foram 777 horas de estrelas ...


Matheus Carmo


Pré-la pra ela !







Soneto Macêdo.


Se de café ela cheirar
De mim amor sempre terá
Se uma flor de lá morreu
Desculpa que me peça, não foi eu

Seu descuido foi bom pra digestão
Tão uma dançante me encontrei
Sei, de morte de flores
Dores que suportei

Mais ontem de noite lá, de baile no domingo
Sua doce voz, eu prece, vinho, seco, fino
Você já me faz por radiante como sol

Mais pra cima amor, é o arrebol
Você é tarde, da tarde, eu coice
do açoite, fosse que você foice e me acertou.




Verso do conhece-la

Eu faço o sol em palavras ariais e a noite em negrito
se eu não soubesse... seria um erro meu
agora te sábado jeito todo
noite cá conheci passarinho
em tanto canto estas meu canto
manco o manto de estrela dominguinho
chorinho de bandolim em mim
mais tarde ou macêdo
do substantivo ativo próprio enfim
expectativa é medo vida acima
sou perna da tarde
arde da vera
era ou não era
fera
queime
quei-me
dera



Matheus Carmo

Conto das Tríades.







De afinar, eu já estava torto e subtonado. Precisava dar continuidade aos meus estudos de violão no qual deixei por incompleto ontem à noite. Durante a noite, no mais silêncio da sala, eu estava perambulando cá com os meus trastejamentos, (falha técnica que se esvairia no suar da prática). O silêncio era tamanho, até que ouvi um semi tom saltitar aos redores da casa. Aquilo passou a me chamar atenção, fiquei atento até um certo tempo... pois o que me interessava mesmo, era a sua outra metade, aquela que o completaria fazendo-o se tornar um tom. Porque de incompleto já bastava o meu juízo e a minha falta de pertencer.
Fui à procura deste outro semi tom, e o primeiro lugar no qual o vasculharia seria no livro das tríades de papai. "Como pode estar um semi tom num livro? A sua moradia é nos braços deste meu violão!" Eu me desafinava a todo jeito como se de nota me fosse feito, notaria mas as voltas das cordas em que se dava na tarracha da mão do instrumento. Além de tudo, fui-me remetido a pensar no maravilhoso violonista Baden Powell, que fazia prelúdios para a vida e choros para o metrônomo, isso provava-se uma disciplina acadêmica em sol para mim, dó eu sentia por não ter ouvido a luz bater atrás do capítulo de exercício do livro sobre as tríades. Ofício, era só refrão. Eu me refrão para o desgaste. Ao dia, era impossível se ouvir o semi tom, tinha luz, a tarde, a TV, e a zoada do fogão ligando à toda panela, coisas que atrapalhavam... Restava-me a ãnsia da noite e a missão de procurar a outra metade do tom.
Brincava correndo paleta em corda no cansaço de resumir serra em grade, quando me bastava... espreguiçava no afrouxar das cordas; a ressonância sonora representava o sino da igreja, pai e mãe levavam a sério. De paletó, luvas, chapéu e gravata, iam na cafeteria conversar sobre cigarros. Eu também me aproveitava do horário só pra ver as portas correrem atrás do mundo.
Em casa volta ao silêncio, pela metade do tom eu procurava, o êxito não me visitava nessas horas. Com o passar dos anos, fui abandonando a esperança de achar aquele som perdido, e passei a me contentar com o semi tom que ouvia-se durante a noite na sala de casa. Lembro-me hoje que, quando perguntava: - Estão todos ouvindo? Todos se intercalavam, e deixavam a minha inércia sonora em estado de rejeição. Talvez, aquilo só servia mesmo para alimentar a minha imaginação quando fosse compor alguma frase rítmica. Não servia muito pra nada, só pra isso.
Até que quando de nota anotei que não notaria mais para a sua má audição, e assim ... o não fiz.
Havia um apreço por enfeitar as cosas.
Minha poesia também era rejeitada, mas aquele semi tom ... bom som inaugurava-se à minha percepção. Jamais, agora então, o recusaria outra vez. É por causa das coisas mesmo, das sub exigências das tocatas...
Meu sorriso por isso, já era orquestra, a sala pela tarde... era jazz. E pela noite... bossa nova. Meus pais... rock total; quanto a minha poesia era sempre sub tonação. Quanto eu... diapasão de passarinhos.


Matheus Carmo

É de Lã.

Se mais do que em mim, doesse as tentativas de descrever teu corpo, pouco me importaria, e ... partiria para alma. Se mais do que em meu ego doesse a vontade de dizer que te quero eternamente, diria que te amo. Se mais do que em meu pensar tomasse de tempo as quantas vezes teu sorriso aqui invade, pensei em seu cheiro esses dias inteiro...
O que nos falta, falha. O que me faz forte, dúvidas e o tempo que tenho pra desistir.
E atrasar às vezes que vem a vontade de dizer o que eu quero, é o melhor contentamento.
Pouco então me importa, porque de sol eu vivo, tenho queixo duro e perco tantas por não me curvar, e crio explicações pra não aceitar a perda, e sempre me tenho como convencido, ainda assim, não sou feito de eu-mesmo.
Escrevo a história e faço por viver, dela resta a garrafa, parece que jamais os homens abandonarão a bebida, é um vínculo de amizade grandioso, de entendimento, de silêncio, de conjuntura, de apreciação, de esquecimento, de amadurecimento.
Amor platônico. E que sabe e finge não saber.
Hoje estou paz, segui o ritmo dominical, leveza no corpo, e muita preguiça.
Eu fico pensando o que ela fica tentando de por mim, pensar.
Já não escolho a forma certa de escrever, porque eu me escrevo de expressão.
Se de nossa boemia entortasse para o vento, outro beijo torto teria roubado.
Causa da exclamação na hora à fora de ti quando faz.
Amor, precisa de tentação.
Alguém me tente ou atente, a lã na vida.
A lã na plenitude de sorrir.
A lã na preciosidade de roubar-me.
E da lã pra lá.
E da lã que é pecado.
E da lã que é meu desejo de eternidade, de pimenta, plenitude, verdade.
Mas a lã na costura da vida, deve ser outra coisa. Céu dentro da nossa vaidade e intimidade.
Vinho.
Catarse.


Sarava

Matheus Carmo


Nelas Três







Foi de mal dizer que desdenharam toda minha displicência de não conter, ainda assim pavio fez de tanto nos encorajar na macia tarde de novela, naquelas nelas três, que sentavam-se nas esquinas, de saias, com as garrafinhas de refrigerante, de canudinho e sem calcinha, óculos redondos grandes e charmosos, coloridas, amarelas, brancas, e vermelhas, tragavam açúcar sem parar... eu só lembro-me das vinhas que via, e das entranhas, e também do momento "cross leg". Como era lindo o observar, quase tonto, nossa vida era mais kuat, o tempo passava como sol dela à tarde em no rastejo da hora. Era lento! Com essas observações eu cresci, cresci pra dentro da barriga, já sabia o que era libido desde coisa. Quando resolvera chamar-me , cheia de charme, eu já era poeta. Precisei de força e ferro pra não demonstrar toda minha alegria de estar ali, com nelas três. O convite do quarto e a presença do ritual, era demais, antes só uma ideia surreal, esperando por um dia que nunca aconteceria...
Ali, naquele dia, foi de tanto tragar glicose que me deslizei prum nato ego verde. No caminho com elas, víamos a cidade em tempo delas, antigo. Paralelepípedo, o jovem magro em frente a banca de revista, de camisa listrada, cabelo enrolado, sua bicicleta, fumando cigarro. O black na janela e seu radio nas nádegas da rua, movimento, som de fundo, carros bee geesianos, motos magricelas, pássaros de lado seis desafinados, e eu com nelas três em rumo do DIA. Cem metros e a casa eu já avistava, a única com tendência americana, de sótão, jardim verde sol, muro amarelo, casinha de carta, e meus pés... de sapato couro alto, na ânsia de chegar lá. - Calma, senta aí, pega a playboy, e veja a graça de desejar. Uma delas,nelas três, disse-me isto, e eu fiquei no arrepio de espinho denso. A revista era atual, já imaginei que elas eram ligadas nisso, as fotos... cada pose sereia rosa flor d'água que eu jamais tinha visto em minha vida. Só esperava por acontecer. Só conhecia elas de vê-las sentadas na calçada, e dos boatos tentadores que jorravam por aí... Alguéns jamais acreditariam que eu estava contido na estética americana do bairro, com nelas três. E aí então, mais refrigerante pra vida, papos, e eu só sabia risar. Tempos postos longos passado, uma pergunta é me atirada. - Já viu uma vagina na vida, além dessa da foto da revista ?
Nesta hora, a ventura de ser era tarde me co-impelida como mosca na teia, eu já tinha visto, várias vezes nos milésimos "cross leg", elas só andavam sem calcinha, a saia era grande... e seus ares de sacanagem também, o vazio do espaço preenchia-se de puro libido. Mão por trás da cabeça, peito pra fora beijando o vazio, e poeta-lhe nelas três. - Lá de ver ! Foi o que eu respondi. Elas ejacularam suas risadas, sabiam da minha fama de "neurolápis conta flor", entenderam ou infingiram que entenderam muito bem. O tal do "Lá de ver", foi apenas uma maneira de dizer que naqueles momentos em que cruzavam as pernas eu via suas vaginas com bastante atenção, então deixei por isso mesmo, tive a sorte de uma não suposta revanche. Esperei-me delas com toda tensão, o fingimento ou entendimento delas para com a minha resposta era maquiavélico, cenas, filmes, suspense, pois não diziam-me nada, só balançavam a cabeça encenando aquele "sim" erótico, com os dedos na boca, uma perna ia no braço do sofá, e a outra no chão, a outra mão ... passeava pela longa perna, creme, lisa, de instigas serenas... faziam-me concentrar o olhar nos movimentos, passar "mal" e suar, em poucos instantes minhas mãos começaram a tremer, e eu felizmente tive que acreditar, eu era o privilegiado da vez, por estar com nelas três.
O dedo dela que estava na boca, agora passava a deslizar pelo corpo, leve, suado, e solto, prendia-se na região barriguinha-seios-barriguinha. Em um piscar de olhos as três se prontificaram de ficar em uma mesma posição, uma ao lado da outra, como uma barreira nelas-lhe me. A coreografia passara a ser coletiva, o corpo mexia-se em um rebolado sexy, pro lado e pro outro, movimento virgem de ver, meu olhos viam o mar nu, a lagoa em transe, o rio em orgasmo, e meu corpo em pedra, ... estático. Elas de pernas coladas, juntas, justas, agachavam-se e levantavam-se sem perder o equilíbrio, o gingado, o reboliço, o tempo és conjugado, até que ...




A blusas caíram, junto a elas... a minha boca, a primeira, tinha seios redondos, cor creme, macio como a almofada que era sufocada dentre as minhas pernas, a segunda ... seios brancos, triangulares, mamilos roseados, e a última... era uma morena pecado, seios com a cor do erotismo, bem cheios, formados por luas e céu, envenenava-me por deixar-me sem saber o que fazer. Por fim... coreografadamente cada saia escorria pelas pernas, uma sincronia magnífica, e no contínuo movimento sexy do balançar lá e cá, iam-se também ao encontro do chão ... as calcinhas, só o corpo nu, só o pecado, só o meu acenar de "não, isto não está acontecendo, não acredito, salve o mel" e elas vinham, andando lentamente, em cima de mim, com o ar de devorar, eu já estava o máximo possível encostado no sofá, pulei para a escada da sala, subi para o quarto, elas me perseguiam, começaram a correr, tropecei e caí perfeitamente na cama em uma tal posição perfeitamente proporcional para a hora do "o que será que elas vão fazer comigo?". Eu já não via mais o teto do quarto, estava mesmo deitado na cama, só via-se a carne, só o cheiro, só o toque, e a cada segundo que se passava uma parte do meu corpo ia sentindo frio, primeiro os pés, de vez foi o peito a barriga e as pernas, restava-me a cueca que continha a imagem de uma garrafa de Passport, elas riram endemoniadamente e uma delas logo buscaram aquele uísque. E então, saíram despejando todo líquido pelo meu corpo, beijando-me, mordendo-me, ardendo-me pela noite do desejo, excitando-me.. o corpo flexionava, os olhos fechavam-se, a boca sempre abria e gemia, as nádegas começaram a sentir frio, e era o sinal suficiente pra saber que meu corpo estava completamente nu,eu à pertencia. Os longos cabelos delas nelas três me cobriam, o rosto delas não saiam do meu, estávamos todos grudados, duas delas resolvera fazer amor uma com a outra, passavam uma a perna noutra, as vaginas se encostavam, era tudo lento, sincronizavam perfeitamente o movimento em busca da satisfação... a terceira, me largara na cama sozinho, e eu aproveitei para ver toda a cena sexual que acontecia no momento.
Fui surpreendido por um abraço por trás, a terceira havia chegado me abraçando com um pote estranho na mão, beijava-me pelo pescoço, e eu ficava em dúvida se tentava descobrir o que havia ali dentro, ou se prendia mais ainda a minha atenção no lesbianismo que começara a ficar selvagem. Gritos, gemidos agudos, fortes, excitantes, até a lua que dava-se pra ver da janela do quarto escondia-se nas nuvens, e as duas .. cada uma pegou em minha perna, a outra ainda continuava a me beijar no pescoço, e rapidamente eu estava preso de novo por elas, logo o conteúdo do pote que estava na mão de uma das nelas três era me embutido no âmago da minha garganta, gosto de sangue, vinho, de sexo, de ... de... estranheza, era a hora do ritual, aquilo iniciava-se.
- A contemplação do que não seja tarde, feita que é ardente, que não seja sexo, que esteja convexo quanto nos cultue, somos deusas, ninfomaníacas, virgens de não se perder, escolhemos o deus, o poeta de histórias escondidas, de versos nos entretida, de orgasmo nos concedida, sem hora, sem ida, sem partida. Pela tarde somos garotas, enfeitamos o sol e a beleza de quem nos ver, e a imaginação de quem pensa nos nuas, e lavamos os anos pois todos os anus são iguais, o tempo somos o que somamos e suamos, mas agora... queremos vocês, a sua carne e o seu legado literário, isso nos fará de insanidade, de eternidade...

Fiquei sem palavra alguma, uma... em mim cavalgava, a segunda encostava suas partes em meus lábios, e a terceira... masturbava-se em meu olhar.
Era frio mas era Janeiro. Nelas ...






Matheus Carmo

FIZ

Se eu fosse a delicadeza, ou se a terra fosse-me, até mesmo porque já tive interesse em ser inexistência, em ter insistência polpada em suma competência, atrás, de às, onde vivo dentro gota d'água. Fogo virou amigo-me, brincamos na costeira do lago, sem apagar e sem queimar, ao contrário, incendiamos água. Até quando ela nos desaponta, pois não me conta como sacia-nos em orgasmos de necessidade. É sol descer, e sede vir, e ela salva.
Ah, as aranhas que exerçam a sua responsabilidade de sustentar suas patas. Cumprem melhor do que eu que tenho a responsabilidade de escrever, responsabilidade de nome, faço o pássaro que fala e some, ontem tive o dia das marias e dos pesos, João seria até pouco para acompanha-los como "nome pós", então prefiro reascender assim, do jeito que encara, e nos encarece de desdizer.
Além de tudo isso, se eu fosse patas de cachorro estaria atrasado para o mundo, para osso ou ócio, percepção ativa, estranho-me com isto. Descobrir gosto nas refeições das estantes... do que elas se alimentam ? Vidas, pelo menos sei que a tem. Confundi as carências com momentos e com necessidades, a partir de então, noto que a vida é simplesmente feita de momentos, eu só sabia que eles eram únicos, mas não que faziam parte de todo nosso tempo, ou tempo parte de nosso todo. Jamais diria que este momento é de reflexão para mim, já tinha também pensado isso hoje pela madrugada, agora só me possuo. Ou deixo-me possuído pelo lá. Pelo terno das boas festas que não nos restam.
Enfim... é momento. Já não desperdiço há tempos, bom é quando estamos divididos por uma garrafa de vinho gelado, olhando um noutro, encostando boca na boca da garrafa, até que duas questões de "saciar" invadem-nos. O gole ou beijo. Poderíamos estar novamente com as mesmas circunstâncias, com as mesmas significâncias, com as mesmas virtudes, mas jamais teríamos aquele momento de volta, foi-se. Quanto a garrafa... escolheria entre enriquece-se do nada pelo nosso apreço em bebe-la, ou em ser notável.
Por isso também, pensei em ser Tempo, do jeito que sou atrasado e torto, entortaria tudo ! Desdobraria a bainha da calça do tempo, rasgando-se pelo chão, deixando rastro, fazendo-me de astro, de aço, de melaço, de repolho e alho, de tudo quanto possa repartir, de tudo quanto possa nos trazer as mesmas instâncias e rir, escolheria os que merecem a 2º dose, escolheria os que merecem aprender desde já com a primeira. Mas aí além de tudo, precisaria do divino, dele em que sabe julgar. Acho até que ele toparia. Viria em começo e amanheço-me...


Matheus.


Acordei, é real. Faça-se de esquerdo para cima, para a rima, e aprenda que as coisas precisam de outras coisas distintas. Beijo jamais precisa de lábios ou de outros beijos, precisam somente de um simples amor, poesia jamais precisa de mim ou de teclas e lápis, precisa-se somente de uma razão em desrazão, sono jamais precisa de cansaço, e dele bem eu conheço, precisa somente de vontade, vontade de , como dizem, quiçá... ensaiar a morte, assim como ensaiamos a vida. e por fim... no início, que já tentei finaliza-lo aqui nesse texto umas 2 vezes, e repetidamente fui tomado pelo impulso co-autoral letral. Enfim... fim. Em mim.




Matheus Carmo

Em Pé Deitado.






Poesia que se faz de alegria
fria, agora encarna pela simplicidade
Felicidade, arde, não mais que tarde
trace dos meus traços em ponte de pontuação

O sangue escureceu pro meu encravo
lavo, na cozinha de triste ingratidão
desfez-se de traje, tempestade,
o que ainda não passou, imperfeição

Mas de Deus há de se louvar
de agradecer por intermédio do entender
de sentir amor
atirá-se na dor

Que o que passa, se faça
nasça em um ritmo renovante
hoje eu apelo, melo, choro, sofro, me mato, me martelo,
o elo, amor, poesia, família e me quebro,quero o tom dançante.

Novo, não morro, vamos fazer
erguer e entender, que até lá há
ar de uva , de céu, de suor,
valor, não pode vencer... a toda fraqueza de ser humano.

Matheus Carmo

A Queda Do Que Não Caiu Quando Me Assustou.




O céu estava caindo sobre toda tentação do universo... era um desabamento frugal para mim que entendia sobre todas as microconstelações em fragmentos de celeste alveolar e do libido insaciável dos zé's quando faz. Já via-se o céu em quase conchego com as palpas dos tatos. Havia pessoas que passaram a acreditar em toda existência do universo, havia pessoas que de tão altas comiam os algodões das nuvens, as girafas do nosso mundo atravessava o pescoço sobre o próprio teto universal e passara a descobrir novas vivências e criaturas, os mortos despencavam do céu em suicídio da vida, já os porcos da lama ... afagavam-se em tonalidades de sabores adormecidos e abatidos pela queda. O âmago da proxeneta fazia-se em claro e cardo, tinha telefones que tocavam em ritmo de desespero, com homens de alma de vazia e de bolso ocupado, gritando e esguelhando-se de curiosidades absurdas e tão próximas, por de crença ainda sofrer, por de amar ainda não conhecer morrer... era um rabisco sobre o abismo.
Eu já imaginava estas cosas quando moscas caiam do teto em encontro da facultatividade dos meus pés, aí eles escolhiam em ser crentes ou melados. O mais simples de perceber estava ali, no alojamento intercelular dos cânticos sub existenciais proferido pelas banda da casa. O mundo girava ali até então, já que hoje é o dia dos menos dias adormecidos pela humanidade.
Tereza, resolvera tirar as calcinhas e desabrochar suas brechas para as borboletas das ruas, que voavam em busca de semelhanças vadias. Marcinha se encontrara com com Tereza para o ritual de orgasmos múltiplos em descontentamentos de um procurar perdido em prol de desistência sexual. Eu ainda disse-lhe, enquanto que uma procurava a outra pelo quarteirão do bairro, que seria mais prático tentar fazer um alertador de êxito com o inventor Serafim (Que também entendia das minhas análises e tinha um nome propício para aquele dado dia).
Ela era uma puta descente, descendente de pescadores pobres e perversos, detestava sua história de vida, mas foi aprendendo com um pouco do que se diz como "evolução" nos butecos do Centro e na academia da prostituição. Tereza ignorou a minha sugestão, sabia eu que era profética, mas toda sua sabedoria era despejada em semi orgasmos e em goles de cuspidas. Toda minha cidade neste dia ainda não tinha posto os pés no chão, eles todos flutuavam, até a Tereza, a Marcinha e o inventor Serafim. Eu mantinha meus pés nos orvalhos da lua, e quanto ao inventor ... tentava me acompanhar, mas por implicâncias com a alquimia da arte, ainda se prendia em um bolo de chocolate e em uns bagulhos velhos que guardava em sua oficina.
As borboletas por sua vez, também eram dadas como burras, porque até os burros, desta vez, davam murros no céu. Eles se apoiavam com as duas patas, mostravam seus esbranquiçados dentes, e cometiam à fúria contra o céu. Já elas, se encantaram e se fixaram com as brechas...
Houve uma hora em que tudo parou. Em que só o vento caminhava pela orla da maravilha e cumprimentava viventes de euforias, ninguém o respondia, apenas eu e o Serafim. O mundo era o mesmo depois daquele dia, nós e eu, ainda vivemos nele, frases eu construí com o auxílio do Curso de Linguística Geral para desfazer a comunicação com as cadeiras de balanço adormecida na porta de casa, veículos eu também comprei para serem mortos por falta de gasolina no meio do caminho num encontro marcado com as girafas. Surpreendi-me em não precisar de dizer para eles (homens da minha vizinhança) que tudo estava bem, e tão correto, a vida é essa mesmo, aquela que a gente vai levando. No futuro do ontem, todos já corriam e viviam de insatisfações, de manifestos, e dos mesmos. Eu lancei alguns que aqui penetraram e saíram, mas se eu sair daqui ... eu morro. Se eu revelar o segredo... a poesia jamais me perdoará! As inconstâncias deste mar são inquietudes paralelas da nossa produção de percepção frágil, e de todo um modo... duvidosa.
Alguns telefonistas não sobreviveram após a queda do céu, perderam seu tempo cortando linhas. E mesmo com a morte, com o toque e tudo... não aprenderam a lição inter estrelar da ficção do escrivão de não pseudos. Aprenderam apreender o que lhe prendem, mas dia se via em dia após o dado dia nos nossos valores.
Até ontem !




Matheus Carmo

Gastos De Um Verso






Do meu amorzinho que não há
Que eu queria lhe dizer amor
Do deixar escapar do ar
Que eu queria lamentar-me de dor

Hoje não é maçãs de dores
Vejo elas como macias
Me maçã pelas costas
Nas noites e nos dias

Peco e peço do fruto do desejo
liso, quente, bonito, azulejo
Queijo de rato morto
Cor e frio... vazio

De tarde, no meu amanheço
Atira ira mira engloba rola
No mesmo de não saber se estar

Morri ontem em tanto me afagar.


Matheus Carmo

Ao meu jeitinho ...




Minhas vontades são de nunca mais faltar vontade do que ainda se possa ter, de não sentir dor em chamar de flor quem gostaria chamar de amor, de não se inibir na cama em vê-la apenas dormir quando se tem vontade de tocar e abraçar, apertar, acordar e beijar. Às vezes eu nem sinto minha vontade,sinto só o meu desejo. Há de quem reclame das rimas de "marias, joão, samba, bamba", mas é tão bonitinho ... Ah minha pétala, inala, ascende, queima, ama, arranca, me engole, me ternura, me esperança de viver, de gozar de alegria nas manhãs por só ter você. E acordar de manhã, na roça do outro mundo, todo dia de manhã mostrarei-lhe um passarinho novo que eu teria pego com a minha mão, e feito voa-lo com teu sorriso, que apela e pela manhã brilha mais que o sol, mais que o céu, e pela noite ... enche-se de pecado, coloca medo nos homens de alma fria de mulheres...
Prefiro o olhar que aqui disponho que a imagem bela que invade o teu sonho, porque a manhã já não se sabe mais o que proporcionará a você e toda sua negação, eu que no embalo sou cheio de manha, de façanha, de estranhas, combinado à gorduras de pratos, de enjoo de tardo, ardo e por aí quase que os sinos dobram ...
Quando eu te vê, leis de amor e de injúrias feministas não irei mais permitir, com toda surpresa, levarei a graça da janta até seu quarto, o vinho das estrelas ao nosso gole, e em menos de um toque, de um trisco de segundo, avançarei-me no semáforo do coração vermelho, entre o libido e o infarto, e caso ainda permaneças pra baixo, continuarei de verso em fato no ato de desejar fazê-la chorar por amar mulher-lhe !

Matheus Carmo

Poema Baixinho Comunicacional




Eu já tive o meu Par Down que não voava, era só de pinga.
Pesquei a tarde bebendo dose da lagoa de tinta que quanto mais soa menos brinca, por isso que resolvi engolir quartos acima da rima que por opção, me anima.
A estrutura é essa.
Respirando o Ar de Lá pequeno baixo dó jó Now.

Mas enfim... é pele macia de sorriso gracioso



Dance garota, como dança as borboletas
Em roda de fogo que queima-me em pimenta
E tenta em que não experimenta
Lenta que não aguenta
Seu exercício,exercer do vício
ao pertencer.

Me dê amor todo seu calor,
Tire amor, todo seu não querer
Que ter é agrado de viver
Comigo e ser
Não mais morrer.

Abrace-me assim,
Com este, este ar de escapamento
Que faz mais ego ao nosso gozo
E de novo, gostoso
é este mel de ti se ver

Sei que em bares não irei te encontrar
Nem nas esquinas deste luar
Mas aqui, você me preenche
Entende e treme

E se soubesse onde estou...

Faço do verso nosso toque
Nosso carinho e sentimento
Terno costurado do inverno
Meu invento.

Real, se beija
Deixa e desleixa em amor,
Meu benzinho que quero
De carinho, brisa, já a pressa, tolero.

Aquela praia à suco gelado em garrafa de vidro com o gelo rodando e fazendo aquele sonzinho
Está valendo.
Sol, ardendo.
Manoel para o nosso veneno.

E que de todos dias sinto por vontade lhe procurar
Lhe risar de dar dor na barriga por emaranhar
Nosso café pretinho com cheirinho de amor
Te amar.
Mar.


Matheus Carmo